sábado, 12 de setembro de 2009

Semana dos Realizadores

Morro do Céu na mostra SEMANA DOS REALIZADORES em24/09/2009 no Rio de Janeiro - RS

Neste ano de 2009 fez aniversário um maio menos célebre do que o de 68, mas não menos importante para o cinema mundial. Há exatos quarenta anos, influenciados em muito por tudo que aconteceu no ano anterior, um grupo de cineastas franceses criava a Quinzena dos Realizadores, sessão paralela ao Festival de Cannes. Com esta iniciativa expressava-se menos uma revolta e mais uma constatação: o cinema era maior mesmo do que o maior de seus festivais, e por isso era preciso dar minimamente conta de um pouco mais desta que se convencionou chamar de Sétima Arte do que aquilo que a seleção oficial de um só evento conseguiria fazer.Hoje, quarenta anos depois, nos vemos num cenário absolutamente distinto, mas igualmente fervilhante. Entre outros motivos, a verdadeira explosão das tecnologias de produção e difusão de imagens fez com que os festivais do Brasil e do mundo inteiro se vissem inundados por filmes inscritos e, com isso, a sensação resultante não é muito distinta da que tinham aqueles realizadores motivados por convulsões estéticas e políticas tão urgentes quanto as de hoje. O fato resultante é que nem aquele que tem sido considerado o maior festival de cinema do Brasil tem mais a possibilidade de dar conta desta verdadeira imensidão daquilo que se produz em audiovisual hoje no país.

É com esta constatação, acima de todas, que nasce esta I SEMANA DOS REALIZADORES.É importante que duas coisas fiquem bem claras de saída, já neste nascimento. A primeira é que sabemos que não será somando apenas mais uma outra seleção, que exibirá mais dez ou quinze filmes, que daremos conta de uma tamanha pujança produtiva e criativa como a que hoje atravessa o Brasil, "como nunca antes na história desse país" continental (em números absolutos e em abrangência regional). Até por isso já há tantos outros festivais e mostras pelo país, nos mais diferentes enfoques. No entanto, consideramos significativa a duplicação dos pontos de vista representada pelo simples fato de que passem a ser dois, e não mais apenas um, os olhares lançados sobre a produção audiovisual no contexto deste momento privilegiado do ano em que os olhos cinematográficos do país se voltam para o Rio de Janeiro. Isso não só é algo mais do que saudável, mas necessário mesmo, principalmente por surgir das ansiedades e demandas de um grupo de realizadores de filmes.A segunda coisa que precisa estar bem clara é que este olhar não se pretende contrário, mas sim alternativo e complementar, ao que o Festival do Rio apresenta. Se vivemos uma época marcada por uma perspectiva cada vez mais polemista, é preciso constatar como a maior parte destas polêmicas não possuem de fato qualquer profundidade, marcadas pela facilidade das oposições antagônicas simplistas e dos factóides. Pois a SEMANA DOS REALIZADORES continua interessada em conhecer e ver aquilo que a Premiére Brasil nos deixará ver do cinema brasileiro a partir da semana seguinte à nossa realização. Acreditamos afinal que, se surgimos quarenta anos depois do evento que nos deu nossa inspiração primeira, precisamos também haver aprendido algo com as lições e caminhos desta história prévia. Por lá, hoje os dois espaços (o de uma "seleção oficial" e o de uma "dos realizadores") reconhecem o papel distinto de cada um deles - algo que ficou mais do que óbvio neste ano em que vimos um ganhador de duas Palmas de Ouro abrir a seleção da Quinzena dos Realizadores e uma série de realizadores descobertos nesta última participando da competição.A nossa pequena e incipiente iniciativa nasce, portanto, com esta mesma ambição, nada pequena: não a de fazer ver alguns filmes AO INVÉS de outros, mas a de fazer ver e destacar MAIS filmes ALÉM daqueles que já se vêem.
Fundadores da SEMANA DOS REALIZADORES:
Eduardo Valente
Felipe Bragança
Gustavo Spolidoro
Helvécio Marins Jr.
Kléber Mendonça Filho
Lis Kogan
Marina Meliande

mais informações e programação da mostra: http://semanadosrealizadores.blogspot.com/

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Lançamento do Programa DOCTV IV

MORRO DO CÉU é o resultado de três meses de imersão em uma comunidade de descendência italiana na serra gaúcha

 

 

Com direção de Gustavo Spolidoro (AINDA ORANGOTANGOS; GIGANTE – COMO O INTER CONQUISTOU O MUNDO), MORRO DO CÉU foi premiado pelo concurso DOCTV BRASIL IV, promovido pela ABEPEC e, no estado, pela TVE e tem previsão de exibição por emissoras públicas de todo o Brasil, de 05 a 11 de julho.

O Diretor, desde sua infância, frequenta a pequena Cotiporã, cidade de colonização italiana, com menos de 5mil habitantes, localizada no alto de uma montanha na serra gaúcha e onde sua avó, Ignez Varnier Spolidoro, nasceu. Daí surge o projeto, batizado inicialmente de MONTE VÊNETO, nome de Cotiporã até a segunda guerra.

Entretanto, durante as pesquisas por personagens, Spolidoro conheceu um grupo de garotos (16 a 18 anos) da localidade de MORRO DO CÉU, zona rural da cidade de Cotiporã, dando uma virada no projeto e mudando o foco para a pequena comunidade agrícola.

Inicia aí um processo observacional onde, durante todo o verão, o Diretor acompanhou diariamente a família Storti: Bruno (16 anos) e seus pais Geni e Raul. Presentes também, o primo e sócio na mecânica BJ, Joel (18 anos), os amigos Daian (17 anos) e sua namorada de Cotiporã, Maquelen (16 anos), e mais de uma dezena de jovens moradores da LINHA 14 DE JULHO, principal via do MORRO DO CÉU.

São retratados, assim, longos dias de verão onde o tempo transcorre entre a colheita da uva, o provão de recuperação de fim de ano, um campeonato de pênaltis, passeios por pontes e túneis de trem e a descoberta do primeiro amor.

Apesar das alterações, a proposta original de retratar o cotidiano de adolescentes da região foi mantida e o filme foi totalmente rodado tendo somente o Diretor desempenhando todas as funções referentes às filmagens.

 Na trilha do filme aparece a musica mais tocada nas FMs do Brasil em 2008, “Borboletas”, de Vitor & Léo e, claro, sucesso entre os jovens de Cotiporã. Por outro lado, o grupo mineiro Constantina (www.myspace.com/bandaconstantina), empresta o post-rock da musica “Treinando Para Ser Chuva”, para embalar os momentos de contemplação e desprendimento da realidade do documentário.

MORRO DO CÉU tem Direção, Fotografia, Som Direto e Direção de Produção de Gustavo Spolidoro, Produção Executiva de Patrícia Goulart e Montagem de Bruno Carboni.

O Programa DOCTV no RS é uma realização da TVE-RS com o apoio da APTC/ABD-RS, ABD nacional, CEEE e da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, ABEPEC – Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais, TV Cultura – Fundação Padre Anchieta, TV Brasil – Impresa Brasil de Comunicação.

O DOCTV é um Prograna da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais – ABEPEC, Fundação Padre Anchieta, TV Brasil – Empresa Brasil de Comunicação, com o apoio institucional da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas – ABD. O Programa DOCTV tem como objetivos gerais a regionalização da produção de documentários, a articulação de um circuito de teledifusão e a criação de ambientes de mercado para o documentário brasileiro.

 http://www.tvcultura.com.br/doctv